Quando se inicia e termina a santificação?
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para
que sejam apagados os vossos pecados, e para que venham assim os tempos do
refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).
Quando e
como inicia-se a santificação do convertido? O ato de crer ou a fé em Jesus
Cristo produz o arrependimento, o qual tem o poder de justificar – termo
judicial que tem o sentido de absolver um condenado da pena merecida – o homem
de todos seus pecados. É o que se chama graça salvadora. A graça (greg. “charis”) é o poder de Deus responsável,
entre outras coisas, pelo perdão de pecados, santificação, salvação da alma e a
regeneração interior, por meio da qual ocorre a
purificação ou a limpeza do coração pela fé.
A primeira
regeneração é um ato, mediante o qual se “apaga” todo poder e influência
incontrolável que o pecado tinha contra a alma pecadora, deixando-a limpa para
receber o Espírito Santo (Romanos 5:5). É uma troca de morador com grande ganho para
homem, pois sai o pecado e entra o Espírito Santo em sua vida, consistindo-se
também numa troca das trevas pela luz divina.
A primeira
regeneração (greg. “paliggenesia”) é
instantânea, sobrenatural, operada no coração do convertido mediante a fé,
ocorrendo no início da sua caminhada com Deus – “mas
segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da
renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5). É o novo nascimento ou
nascimento espiritual, refletindo o momento que o homem passa da morte do
pecado para a vida espiritual e salvação eterna por meio da fé em Cristo, em
tudo semelhante ao ato de ressuscitar um morto. O efeito espiritual dessa
regeneração na alma justificada compara-se com o ato de apagar todos as
palavras de uma folha, deixando-a em branco, tal como foi produzida pela
fábrica, para que tudo o que for novamente escrito nela seja conforme o
ensinamento da palavra de Deus. Vejam aqui a importância que a igreja
desempenhe com responsabilidade a edificação dos membros com a palavra da
verdade (Efésios 4:12-13).
A segunda regeneração é pela palavra (greg. “anagennao”) conforme mencionada por Pedro – “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.” (I Pd 1:23, 3) -, refere-se ao novo nascimento ou renascimento mediante a transformação da mente por meio do conhecimento da palavra de Deus (Romanos 12:2). Refere-se a edificação espiritual dos membros pelo conhecimento da verdade. É ser gerado de novo mediante o esforço em conformar a nova criatura da primeira regeneração com a vontade de Deus revelada em sua palavra, estando diretamente ligado ao conhecimento de Deus e de Cristo.
A ilusão do pecado é desfeita principalmente pelo ensino da palavra de Deus nas congregações ou igrejas cristãs – “Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;” (Hebreus 3:13). Assim é porque somente o poder da palavra divina pode desvendar a armadilha, disfarce ou aparência de bom que tem o pecado – depois de enganada por Satanás, Eva viu que o fruto proibido era bom para se comer, agradável aos olhos, desejável para dar entendimento e por esse último interesse o comeu e deu ao marido (Gn 3:6) -, alertando os homens de suas consequências malignas terrenas e espirituais antes que caiam na cilada ou no erro.
A
regeneração sobrenatural é instantânea (pela fé salvadora), diferentemente da
regeneração gerada pelo nascer de novo pelo conhecimento da palavra da verdade,
o que é gradual, permanente no tempo e robustecedora da fé pelo poder da
palavra de Deus, etapa que se prolonga até a morte ou arrebatamento dos salvos.
O apóstolo Pedro sempre teve preocupação com a regeneração dos crentes pela
palavra, exortando-os a crescerem no conhecimento de Deus para a salvação (I Pd
2:2 e II Pd 3:18).
Frisa-se que primeira fase da regeneração é um ato, enquanto a segunda fase ou a santificação propriamente dita é um processo que perdurará até o último dia de cada um neste mundo, porém ambas se complementam nesta obra que o Espírito Santo opera na vida dos santos.
O início da santificação é com a conversão, pois o arrependimento
cancela todos os pecados do arrependido (Atos 3:19). A alma humana fica limpa,
como uma folha branca de papel – pronta para escrever uma história maravilhosa
com novidade de vida. Este estado de santificação deve ser mantido por toda
vida, até a vinda de Jesus Cristo - “sejam
plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus
Cristo.” (I Ts 5:23). Você deve estar se perguntando: “Como vou conseguir manter uma vida santa por tanto tempo?”.
Descansa o coração, pois essa obra não é sua, é do Espírito Santo. Foi para
garantir a santificação do convertido que cada crente está selado e revestido
do Espírito Santo (Efésios 1:13). A santificação é uma obra espiritual, não humana.
Quando se diz que sem santificação ninguém verá a Deus, somos lembrados da
nossa total dependência do Espírito Santo para sermos salvos, pois a salvação
eterna depende de duas coisas: santificação (pelo Espírito Santo) e fé na
verdade – “Mas devemos sempre dar graças
a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o
princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;”
(II Ts 2:13).
O apóstolo Paulo também fala sobre o crescimento da santificação na vida dos convertidos após serem libertados do pecado: “Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.” (Romanos 6:22).
O Espírito
Santo (greg. “parakletos”) é o
consolador, o advogado, o intercessor ou aquele que foi chamado para ajudar o
convertido. A santificação é a principal obra do Espírito Santo na vida do
convertido, responsável em dar-lhe discernimento na edificação pela palavra da
verdade, para fins de crescimento espiritual. Foi Cristo quem o chamou e o enviou
para ajudar, instruir e guiar o convertido (João 14:16:26, 16:7) enquanto
o justo estiver vivendo neste mundo a caminho da vida eterna. O agir do
Espírito Santo depende da presença da palavra de Deus no coração do convertido,
por ser ela que efetivamente santifica a alma (João 17:17 e Salmos 12:6).
Num sentido mais amplo, o
consolador é alguém chamado ou convocado para estar ao lado de outrem a fim de
ajudá-lo, alguém que pleiteia a causa de outro diante de um juiz ou conselheiro
de defesa, mesma posição de Cristo em sua exaltação exerce à mão direita de
Deus, o qual intercede junto a Deus, o Pai, pelo perdão de nossos pecados e
concessão de bênçãos, em tudo semelhante à função do Espírito Santo com os
apóstolos, o qual “foi destinado a tomar
o lugar de Cristo depois de sua ascensão ao Pai, para conduzi-los a um
conhecimento mais profundo da verdade evangélica, e dar-lhes a força divina
necessária para capacitá-los a sofrer tentações e perseguições como
representantes do reino de Deus” (Dicionário Strong)*.
Quando se diz que a santificação é a principal obra Espírito Santo, não se está se dizendo que alguém será salvo independentemente de sua vontade porque foi santificado pelo Espírito Santo, mas que seu papel de auxiliador é fundamental para o homem manter o coração no temor e no caminho da verdade do evangelho, se não fosse por ele o pecado e a velha natureza retomariam o controle de seus atos, mas, definitivamente a santificação depende da vontade do homem – “e o santo continue a santificar-se.” (Ap 22:11, Hebreus 12:14).
*Dicionário Strong
**© Texto bíblico: ACF – SBTB