Estudo Bíblico

Batalha espiritual - A luta não é contra a carne e o sangue

Batalha espiritual - A luta não é contra a carne e o sangue

  • Éder de Souza
  • Tempo de Leitura 6 Minutos

Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.”– (Efésios 6:11-13).

De fato, nossa luta ultrapassa o que é físico, a carne e o sangue que simbolizam o corpo físico, e precisa ir além do aspecto sensorial, pois normalmente os adversários e inimigos mais perigosos dos cristãos vivem nas trevas espirituais e são estimulados à maldade e à rebeldia por espíritos de demônios – “O meu zelo me consumiu, porque os meus inimigos se esqueceram da tua palavra.” (Sl 119:139). Muitos deles mudam de atitude quando são feitas orações por suas vidas, visto que precisam de libertação espiritual conforme ensinou Jesus – “orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:44).

Davi, um homem valente e guerreiro, que podia resolver qualquer diferença pessoal na espada ou na faca, mesmo sendo atacado por lábios maldosos e fraudulentos, assim como por línguas mentirosas que com palavras odiosas que sem causa lhe faziam guerra, ele orava para que esses inimigos fossem libertados do poder do mal – “Em paga do meu amor, me hostilizam; eu, porém, oro.” (Salmos 109:1-4). Quando se ora pelos inimigos o poder maligno que o incita contra nós perde força e muitos começam a enxergar a luz no meio das trevas. Não é fácil ser intercessor dos inimigos, porém essa oração que deve ser feita a favor deles e traz grandes recompensas.

A capacidade de resistência e vitória dos santos contra as investidas de espíritos malignos respalda-se na armadura de Deus, da qual a oração é uma de suas peças ou armas. É resistir a ataques físicos ou espirituais instruído por Deus. Na expressão “para que possais resistir” o verbo resistir (greg. “anthistemi”) exprime o ato de colocar-se contra, opor-se (Lucas 21:15, Romanos 13:2, Gálatas 2:11, Tiago 4:7).

A  armadura é indicada para resistir “no dia mau”, o que não quer dizer um dia (greg. “hemera”) específico, mas todos os dias da nossa vida ou até o dia em que o diabo e seus demônios forem lançados no lago de fogo e enxofre, pois, embora o diabo foi derrotado pelo sacrifício redentor da cruz, ele ainda tem permissão para agir livremente sobre as almas convertidas e também nas que ainda não foram remidas pelo sangue de Cristo – Satanás age à nossa volta, dominando o mundo ímpio como o príncipe das potestades do ar (Efésios 2:1). Ele é o príncipe deste mundo por causa do controle que exerce sobre homens e mulheres incrédulos (João 16:11 e II Co 4:4).

O termo “no dia mau” – “en te hemera te ponera” – no manuscrito grego original entende-se como um tempo de perigo a fidelidade e a integridade da fé cristã, decorrente do poder das trevas, mas não só, pois também advém de infortúnios físicos como doença, tormento, fadiga laboral ou outro sofrimento que fragiliza a alma.

É bom sempre lembrar que o dia mau ou o dia da calamidade vem tanto a ímpios quanto a justos (Eclesiastes 9:2), a diferença está na proteção que o Senhor dá aos justos quando lhes sobrevêm as tempestades, adversidades e angústias - “Surpreenderam-me no dia da minha calamidade; mas o Senhor foi o meu amparo.” (Salmos 18:18:1). As hostes de demônios presentes no ar, de forma invisível porque são espíritos, é tão grande que Jesus alertou-nos que cada dia tem seu mal - “Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34). Só os livramentos divinos permitem que o povo de Deus viva sem sofrer danos ou ataques por longos períodos, mas vez e outra enfrentamos alguma tribulação ou aflição, geralmente porque ficamos fracos na fé e aí os inimigos tentam atacar nossa vida.

Enquanto o ímpio vive em permanente aflição e opressão, sem paz na alma, enganado pelas seduções deste mundo e pelas ardis de Satanás, o homem santo só enfrentará o sofrimento do mau algumas vezes, porém não o enfrentará sozinho, pois o Senhor pelejará com ele e será algo passageiro que não terá tempo de estragar sua alegria espiritual – “Todos os dias do oprimido são maus, mas o coração alegre é um banquete contínuo.” (Pv 15:15).

Igualmente devemos celebrar que o dia mau para os que são instruídos pela palavra de Deus não lhes causam o mesmo dano ou infortúnio experimentado pelos ímpios, mas terão repouso: “Para lhe dares descanso dos dias maus, até que se abra a cova para o ímpio.” (Salmos 94:13).  O dia mau também chega na vida dos crentes (Efésios 6:13), mas como foram repreendidos em seus erros e caminhos ao ouvirem a palavra de Deus, as calamidades dos dias maus não lhe afligem a vida nem lhe tiram do descanso dos justos (Sl 37:19, 94:12-13). A tempestade se transforma numa brisa quando o temor e a palavra de Deus estão guardados no coração. Deus controla o vento e toda tempestade que ele causa. Isso fica claro quando em vários textos bíblicos é usada a expressão “quatro ventos”, a indicar que Deus muda em toda a terra a direção e o lugar de quem quiser conforme sua vontade (Jeremias 49:36, Ezequiel 37:9, Mt 24:31).

Certo é que nenhuma peste, praga ou arma preparada derrotará os santos que vivem em obediência à vontade do Pai. Sobre nós existe uma palavra de poder, não mera promessa, de livramento contra poder dos inimigos – Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justiça que de mim procede, diz o Senhor.” (Isaías 54:17).

Somos ensinados que assim como o peixe não sabe quando será apanhado pela rede maligna e o passarinho pelo laço do passarinheiro, igualmente também os homens não sabem quando lhes sobrevirá o tempo mau ou o dia mau que lhe fará cair de repente sobre si laços para os prenderem, deixando sem forças e incapazes e à mercê do imprevisível (Eclesiastes 9:12). O laço do passarinheiro é a arapuca do diabo (Salmos 124:7), para onde os crentes são atraídos com iscas sedutoras e ilusórias), a qual é armada com todo tipo de cilada ou isca, como corpo bonito, sorriso cativante, convite despretensioso, prazeres carnais, promessa irresistível, lucro fácil ou sucesso rápido, porém no momento que o imprudente vai para dar vazão à concupiscência o laço é puxado e o mesmo fica preso como um passarinho. Deus advertiu Caim sobre o desejo pecaminoso antes dele matar seus irmão – Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.” (Gênesis 4:7).

Profetizando aos habitantes da Samaria o profeta Amós diz como deve ser a conduta do homem justo quando o tempo for mau por causa da rebeldia, da violência, das transgressões e das indiferenças espirituais: “Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo será mau.” (Amós 5:13).

A igreja tem que estar revestida da couraça da justiça, de toda palavra de Deus, para que os dardos inflamados do maligno – simbologia das tentações do diabo - não atinjam nem dominem a mente dos jovens, dos homens e mulheres que a frequentam, pois, sabendo que a força, livramento e o escudo (greg. “thureos”) da nossa fé está no poder do evangelho, o inimigo tenta separar os irmãos que se congregam em nome do Senhor Jesus para enfraquecê-los e dominá-los novamente.

Mas, referidas tentações e provações (II Co 6:4-5) na vida de um servo do Senhor não são enfrentadas pela força da carne e sim pela capacitação espiritual dada por Deus conforme a pureza moral (greg. “hagnotes”) ou vida irrepreensível, o conhecimento da palavra da verdade, a perseverança, o amor não fingido, os quais constituem as armas da justiça porque demandam do poder de Deus por meio da presença do Espírito Santo. As armas da justiça (II Co 6:7) são dadas aos que foram aprovados em suas provações. Juntamente com a armadura de Deus (Efésios 6:11-18), essas são as armas necessárias e disponíveis a todos que desejam vencer as batalhas espirituais. Eis aí uma fotografia do interior e do exterior do ministro cristão.

Temos aqui um ensino da palavra do Senhor para não agirmos com desamor nem com discriminação de pessoas, principalmente pressupostos em pensamentos discriminatórios e na aparência, pois, em verdade, a fonte do mal não é, em essência, de natureza física, porquanto procede de intentos demoníacos que agem no coração dos homens que são não revestidos do poder do sangue de Cristo.

Pai, ajude sua Igreja conferindo-nos discernimento espiritual para não ofendermos pessoas de difíceis tratos e convivência quando aborrecerem ou ofenderem seus filhos, mas a orarmos por sua libertação e conversão por meio da fé no Senhor Jesus Cristo. Glórias a Deus!

*© Texto bíblico: ACF – SBTB