Batalha espiritual - A luta não é contra a carne e o sangue
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar
firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra
a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as
potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes
espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a
armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito
tudo, ficar firmes.”– (Efésios 6:11-13).
De fato, nossa luta ultrapassa
o que é físico, a carne e o sangue que simbolizam o corpo físico, e precisa ir
além do aspecto sensorial, pois normalmente os adversários e inimigos mais
perigosos dos cristãos vivem nas trevas espirituais e são estimulados à maldade
e à rebeldia por espíritos de demônios – “O
meu zelo me consumiu, porque os meus inimigos se esqueceram da tua palavra.” (Sl
119:139). Muitos deles mudam de atitude quando são feitas orações por suas
vidas, visto que precisam de libertação espiritual conforme ensinou Jesus – “orai pelos que vos maltratam e vos
perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mt
5:44).
Davi,
um homem valente e guerreiro, que podia resolver qualquer diferença pessoal na
espada ou na faca, mesmo sendo atacado por lábios maldosos e fraudulentos,
assim como por línguas mentirosas que com palavras odiosas que sem causa lhe
faziam guerra, ele orava para que esses inimigos fossem libertados do poder do
mal – “Em paga do meu amor, me
hostilizam; eu, porém, oro.” (Salmos 109:1-4). Quando se ora pelos inimigos o
poder maligno que o incita contra nós perde força e muitos começam a enxergar a
luz no meio das trevas. Não é fácil ser intercessor dos inimigos, porém essa
oração que deve ser feita a favor deles e traz grandes recompensas.
A
capacidade de resistência e vitória dos santos contra as investidas de
espíritos malignos respalda-se na armadura de Deus, da qual a oração é uma de
suas peças ou armas. É resistir a ataques físicos ou espirituais instruído por
Deus. Na expressão “para
que possais resistir” o verbo resistir (greg. “anthistemi”) exprime o ato de colocar-se contra, opor-se (Lucas 21:15, Romanos 13:2, Gálatas 2:11, Tiago 4:7).
A armadura é indicada para resistir “no dia mau”, o que não quer dizer um dia
(greg. “hemera”) específico, mas todos
os dias da nossa vida ou até o dia em que o diabo e seus demônios forem
lançados no lago de fogo e enxofre, pois, embora o diabo foi derrotado pelo
sacrifício redentor da cruz, ele ainda tem permissão para agir livremente sobre
as almas convertidas e também nas que ainda não foram remidas pelo sangue de
Cristo – Satanás age à nossa volta, dominando o mundo ímpio como o príncipe das
potestades do ar (Efésios 2:1). Ele é o príncipe deste mundo por causa do controle
que exerce sobre homens e mulheres incrédulos (João 16:11 e II Co 4:4).
O termo “no dia mau” – “en te hemera te ponera” – no manuscrito grego original entende-se
como um tempo de perigo a fidelidade e a integridade da fé cristã, decorrente
do poder das trevas, mas não só, pois também advém de infortúnios físicos como
doença, tormento, fadiga laboral ou outro sofrimento que fragiliza a alma.
É bom
sempre lembrar que o dia mau ou o dia da calamidade vem tanto a ímpios quanto a
justos (Eclesiastes 9:2), a diferença está na proteção que o Senhor dá aos justos quando
lhes sobrevêm as tempestades, adversidades e angústias - “Surpreenderam-me no dia da minha calamidade; mas o Senhor foi o meu
amparo.” (Salmos 18:18:1). As hostes de demônios presentes no ar, de forma
invisível porque são espíritos, é tão grande que Jesus alertou-nos que cada dia
tem seu mal - “Basta a cada dia o seu
mal.” (Mateus 6:34). Só os livramentos divinos permitem que o povo de Deus viva
sem sofrer danos ou ataques por longos períodos, mas vez e outra enfrentamos
alguma tribulação ou aflição, geralmente porque ficamos fracos na fé e aí os
inimigos tentam atacar nossa vida.
Enquanto
o ímpio vive em permanente aflição e opressão, sem paz na alma, enganado pelas
seduções deste mundo e pelas ardis de Satanás, o homem santo só enfrentará o
sofrimento do mau algumas vezes, porém não o enfrentará sozinho, pois o Senhor
pelejará com ele e será algo passageiro que não terá tempo de estragar sua
alegria espiritual – “Todos os dias do
oprimido são maus, mas o coração alegre é um banquete contínuo.” (Pv
15:15).
Igualmente
devemos celebrar que o dia mau para
os que são instruídos pela palavra de Deus não lhes causam o mesmo dano ou infortúnio experimentado
pelos ímpios, mas terão repouso: “Para lhe dares descanso dos dias maus, até que se
abra a cova para o ímpio.” (Salmos 94:13). O dia mau
também chega na vida dos crentes (Efésios 6:13), mas como foram repreendidos em seus
erros e caminhos ao ouvirem a palavra de Deus, as calamidades dos dias maus não
lhe afligem a vida nem lhe tiram do descanso dos justos (Sl 37:19,
94:12-13). A tempestade se transforma numa brisa
quando o temor e a palavra de Deus estão guardados no coração. Deus
controla o vento e toda tempestade que ele causa. Isso fica claro quando em
vários textos bíblicos é usada a expressão “quatro
ventos”, a indicar que Deus muda em toda a terra a
direção e o lugar de quem quiser conforme sua vontade (Jeremias 49:36, Ezequiel 37:9, Mt
24:31).
Certo é que nenhuma peste, praga ou arma preparada derrotará os santos que vivem em obediência à vontade do Pai. Sobre nós existe uma palavra de poder, não mera promessa, de livramento contra poder dos inimigos – “Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justiça que de mim procede, diz o Senhor.” (Isaías 54:17).
Somos ensinados que assim como o peixe não sabe quando será apanhado pela rede maligna e o
passarinho pelo laço do passarinheiro, igualmente também os homens não sabem
quando lhes sobrevirá o tempo mau ou o dia mau que lhe fará
cair de repente sobre si laços para os
prenderem, deixando sem forças e incapazes e à mercê do
imprevisível (Eclesiastes 9:12). O laço do passarinheiro é a arapuca
do diabo (Salmos 124:7), para onde os crentes são atraídos com iscas sedutoras e
ilusórias), a qual é armada com todo tipo de cilada ou isca, como corpo bonito,
sorriso cativante, convite despretensioso, prazeres carnais, promessa
irresistível, lucro fácil ou sucesso rápido, porém no momento que o imprudente
vai para dar vazão à concupiscência o laço é puxado e o mesmo fica preso como
um passarinho. Deus advertiu Caim sobre o desejo pecaminoso antes dele matar
seus irmão – “Se bem fizeres, não
é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre
ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.” (Gênesis 4:7).
Profetizando
aos habitantes da Samaria o profeta Amós diz como deve ser a conduta do homem
justo quando o tempo for mau por causa da rebeldia, da violência, das
transgressões e das indiferenças espirituais: “Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o
tempo será mau.” (Amós 5:13).
A igreja tem
que estar revestida da couraça da justiça, de toda palavra de Deus, para que os
dardos inflamados do maligno – simbologia das tentações do diabo - não atinjam
nem dominem a mente dos jovens, dos homens e mulheres que a frequentam, pois,
sabendo que a força, livramento e o escudo (greg. “thureos”) da nossa fé está no poder do evangelho, o inimigo
tenta separar os irmãos que se congregam em nome do Senhor Jesus para enfraquecê-los
e dominá-los novamente.
Mas,
referidas tentações e provações (II Co 6:4-5) na vida de um servo do Senhor não
são enfrentadas pela força da carne e sim pela capacitação espiritual dada por
Deus conforme a pureza moral (greg. “hagnotes”)
ou vida irrepreensível, o conhecimento da palavra da verdade, a perseverança, o
amor não fingido, os quais constituem as armas da justiça porque demandam do
poder de Deus por meio da presença do Espírito Santo. As armas da justiça (II
Co 6:7) são dadas aos que foram aprovados em suas provações. Juntamente com a
armadura de Deus (Efésios 6:11-18), essas são as armas necessárias e disponíveis a
todos que desejam vencer as batalhas espirituais. Eis aí uma fotografia do
interior e do exterior do ministro cristão.
Temos
aqui um ensino da palavra do Senhor para não agirmos com desamor nem com
discriminação de pessoas, principalmente pressupostos em pensamentos
discriminatórios e na aparência, pois, em verdade, a fonte do mal não é, em
essência, de natureza física, porquanto procede de intentos demoníacos que agem
no coração dos homens que são não revestidos do poder do sangue de Cristo.
Pai,
ajude sua Igreja conferindo-nos discernimento espiritual para não ofendermos
pessoas de difíceis tratos e convivência quando aborrecerem ou ofenderem seus
filhos, mas a orarmos por sua libertação e conversão por meio da fé no Senhor
Jesus Cristo. Glórias a Deus!
*© Texto bíblico: ACF – SBTB