Estudo Bíblico

Armadura espiritual de Deus – 4ª peça ou arma – O escudo da fé

Armadura espiritual de Deus – 4ª peça ou arma – O escudo da fé

  • Éder de Souza
  • Tempo de Leitura 6 Minutos

Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.” (Efésios 6:16).

A quarta parte da armadura espiritual é o escudo (greg. “thureos”) da fé. Na velha aliança os soldados também portavam o escudo como uma peça da armadura de proteção pessoal para não serem atingidos pelos dardos mortais dos inimigos – Trazia na cabeça um capacete de bronze, e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze. E trazia grevas de bronze por cima de seus pés, e um escudo de bronze entre os seus ombros.” (I Sm 17:5-6, I Cr 12:34, II Cr 9:16, 17:17, Ezequiel 38:5). Ele é um equipamento defensivo, geralmente empunhado na mão esquerda, ficando a mão direita livre para segurar a arma. O escudo fica do lado esquerdo para proteger o coração, onde está guardada a palavra de Deus, por meio da qual é gerada a nossa fé. Logo, é a palavra do Senhor ou ele próprio quem, como um escudo, protege seus filhos - “O Senhor é a minha força e o meu escudo;” (Salmos 28:7).

Sempre foi uma arma de defesa frontal contra os ataques inimigos. O escudo era longo e ovalado, com quatro cantos, protegendo o combatente das lanças, flechas, espadas e dardos. Quantos ataques vêm à nossa frente? Nossos olhos, ouvidos, desejos e sentimentos são bombardeados continuamente com as seduções carnais e mundanas pecaminosas, porém são todas vencidas pela fé no evangelho que nos mantêm santos e tementes a Deus. É a nossa fé que vence o mundo (I João 5:4) e nesta batalha ela funciona como um escudo espiritual.

Efetivamente, Deus é o nosso escudo. Isso ele disse a seu amigo Abraão – “Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a Abrão em visão, dizendo: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão.” (Gênesis 15:1).

Mas, o que é o escudo da fé bíblica e concretamente? O escudo da fé é a proteção mais eficaz que existe contra inimigos ocultos ou desconhecidos, pois, não obstante os limites dos sentidos humanos, tem-se que mesmo os planos ou ataques realizados longe dos olhos dos santos são todos bloqueados no reino espiritual por causa da onisciência de Deus, impedindo que o agir demoníaco lhes cause danos. A cobertura ou defesa desse escudo é proporcional à medida da fé guardada no coração, sobretudo pelo fato que a fé protetora baseia-se no temor e na santidade dos que se submetem à vontade da palavra de Deus em suas vidas. É a fé sincera e verdadeira entrando em combate para proteger os santos, porque eles sabem que o rosto de Deus não os desampara porque ele é fiel - “Tu és o meu refúgio e o meu escudo; espero na tua palavra.” (Salmos 119:114:10, 18:30, 33:20, 35:2, 84:9, 115:9, Pv 2:7, II Sm 22:31).

Muitos ataques de Satanás têm como intenção fazer o crente duvidar do poder de Deus, visando enfraquecer a fé e comprometer a defesa do escudo protetor, daí a necessidade de se evitar as tentações que sutilmente surgem pelo caminho trazendo descrença no poder da palavra e abatimento espiritual. Pessoas que não mais querem ir à igreja, meditar, ouvir, orar e nem falar da palavra de Deus sinalizam que abaixaram o escudo, expondo-se aos ataques inimigos. Mas, se houver prontidão espiritual, a fé sincera rapidamente atenta para o engano maligno da “feliz coincidência”, do ganho fácil ou da sedução do prazer sexual impuro que se oferece e assim são apagados esses dardos inflamados de Satanás. A bênção dessa proteção divina é infalível contra todas essas ciladas, circundando inteiramente os santos, não deixando brechas para o inimigo atacar – “Pois tu, Senhor, abençoarás ao justo; circundá-lo-ás da tua benevolência como de um escudo.” (Salmos 5:12:7).

A tática de sedução do Inimigo é a mesma desde o jardim do Éden: Desobedecer a Deus em troca da promessa de felicidade humana nesta terra - “Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” (Gênesis 3:4-5) -, tendo o engano e a mentira como armas preferidas, mas quem é reto de coração não deixa de acreditar nas bênçãos e promessas que Deus tem para os que o amam - “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” (I Co 2:9).

A fé fingida (II Tm 1:5) ou da boca para fora não tem o mesmo efeito protetor. Quem tem fé sincera também chora e sofre, porém tem certeza que o auxílio divino chegará, conquanto confia e espera em Deus. A fé sincera tem o amor de Deus, por isso tudo suporta - “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (I Co 13:7). Não são meras palavras, há testemunho bíblico. Sem saber que estava sendo provado por Deus, Jó passou por grandes perdas e sofrimentos, porém suportou tudo porque amava a Deus e não o blasfemou. Sabemos que Jó no meio de intensa dor e sofrimento por causa das chagas que lhes cobriam o corpo, das injúrias falsas, do desamparo dos parentes e conhecidos, do desprezo dos criados e das servas de sua própria casa, do mal cheiro que exalava e da rejeição dos amigos íntimos, não duvidou da presença e do controle de Deus sobre sua vida, certo que o Senhor brandaria sua espada no tempo oportuno para fazer juízo contra todos os males que o atormentava – “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra.” (Jó 19:25).

A fé sincera é um escudo de ouro – representa proximidade com Deus, ao passo que a fé fingida é um escudo de bronze – símbolo de vida sujeita a juízo divino. Os escudos de ouro de Salomão simbolizaram a glória do seu reino e suas vitórias sobre todos os reinos que se avizinhavam com a nação de Israel, porém os escudos de bronze feitos por seu filho Roboão, refletiam a humilhação de um rei idólatra e derrotado diante de seus inimigos (I Rs 14:25-27).

Como podemos adquirir o escudo da fé? Todo aquele que confia na palavra de Deus tem consigo o escudo da fé, como refúgio e fortaleza que o protege dos inimigos e das adversidades, beneficiando-o como espécie de contrapartida ao temor gerado no coração por haver guardado fielmente sua palavra – “Toda a palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele.” (Provérbios 30:5). Como cristãos, nossa fé é Cristo. Somente chegamos a Deus se tivermos fé na obra redentora da cruz, naquilo que Cristo sofreu em nosso lugar, obra que nos reconciliou com o Pai e nos concedeu a esperança da vida eterna. Logo, sem fé em Cristo, o Verbo de Deus, não há vida nem proteção espiritual, pois ele é a verdade e sem ele nada podemos fazer, posto que somente “temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele.” (Efésios 3:10 e João 15:5). O único nome que o mundo espiritual respeita é o de Cristo, seja entre os vivos ou mortos – “E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Apocalipse 1:18).

Quando o apóstolo Paulo diz que depois de “havendo feito tudo, ficar firmes” (Efésios 6:13), estamos diante de uma exortação para se permanecer com fé à espera do agir de Deus, vigiando com perseverança o tempo todo com orações e súplicas. Definitivamente não é uma atitude passiva, de somente ficar esperando, pelo contrário vigiar com perseverança significa “orai sem cessar” (I Ts 5:17).

Mas, o texto diz que o escudo serve para “apagar todos os dardos inflamados do maligno.” (Efésios 6:16). Os dardos ou flechas eram armas usadas em ataques à distância dos alvos, por inimigos que estavam longe ou escondidos da vista dos olhos de quem sofria o ataque. O diabo age sorrateiramente, disfarçado, atacando as vidas de posições invisíveis do reino espiritual. Os exércitos antigos usavam dardos inflamados (com fogo na ponta) contra inimigos quando, não queriam só ferir, mas destruir completamente os inimigos, incendiando cidades, casas, plantações e todos seus bens.

Dardos inflamados são sinônimos de que a vontade insaciável de Satanás é matar, roubar e destruir (João 10:10). Os principados, potestades demoníacas e as hostes espirituais da maldade são inimigos reais, malignos e violentos, realidade espiritual que se escancara quando é descoberta, por alguém com discernimento espiritual (I Co 2:15), e revelada sua maneira sutil, traiçoeira e destruidora de agir contra as almas. Como dito alhures, muitos ataques do Maligno têm como objetivo desanimar, enfraquecer e criar dúvidas na fé dos cristãos acerca do valor e do cumprimento das promessas feitas por Deus, outros, como  as opressões e possessões demoníacas vêm para destruir as almas.

Ao dizer que a finalidade do escudo é “apagar todos os dardos inflamados do maligno.”, refere-se às tentações (greg. “peirasmos”) e as ciladas (greg. “epiboule”) lançadas no caminho dos crentes pelo diabo, tentando incendiar e destruir a paz e a saúde das almas com acusações mentirosas, aflições, tribulações, medos, pensamentos e desejos pecaminosos, tristezas  e angústias deste mundo e depois com as chamas do inferno. “Apagar” significa evitar o abatimento e a fraqueza da alma e do espírito dos crentes por esses males.

Cabe aqui uma distinção. A “couraça da fé” protege contra as lutas e inimigos que estão próximos das almas perseguidas, em batalhas que expõe à perigo primordialmente o corpo físico dessas vidas. Algumas vezes, esses inimigos se levantam no trabalho, na igreja e até na família como alertou Jesus (Mateus 10:36). Logo, a couraça da justiça dá livramento das ciladas, armadilhas, covas abertas, ferimentos e morte física procedentes de ataques demoníacos perceptíveis aos sentidos. Isso traz à memória as ofensas verbais, injustiças, falsas acusações, inveja, mentiras, obras de bruxaria, magia negra, feitiçaria e agressões físicas provocadas por pessoas próximas que agem sob o controle de Satanás, com a intenção de causar dano físico, sofrimento e até a morte de suas vítimas.

De outra parte, o “escudo da fé” serve para bloquear ataques realizados à longa distância do ofendido com dardos inflamados, comumente de procedência oculta ou desconhecida, literalmente invisíveis porque os demônios são espíritos malignos, bloqueando setas lançadas contra homens e mulheres santos – o escudo da fé protege só os justos -, evitando danos materiais e sentimentais, enfermidades, doenças não diagnosticadas, destruição de casamentos, esterilidade física e material, ruína familiar, insucesso no amor ou fracasso financeiro.

A arma espiritual “escudo da fé” tem um grande paralelo em nossos dias: As defesas antiaéreas tecnológicas que nas guerras modernas derrubam os mísseis inimigos bem antes deles atingirem os alvos. Os ataques inimigos se tornam inúteis e ineficazes em virtude desse escudo protetor aeroespacial. É assim que o escudo da fé funciona a favor dos homens e mulheres de Deus. Oh glória!

Confiar ou ter fé na palavra de Deus é a maneira mais poderosa de bloquear todo argumento maligno, falsa aparência ou ataque espiritual, na medida que como filhos de Deus, vem dela a maturidade e o fortalecimento espiritual que revestem os discípulos de Cristo - Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.” (II Co 10:4-6 - ARA).

Por conseguinte, todos os dardos inflamados lançados contra os santos caem por terra e não os ferem por causa do escudo da fé, ficando neutralizado os ataques inimigos pela presença do Espírito Santo que opera na vida dos que obedecem a Deus.

Bendito são todos os santos revestidos pelo poder dessa inabalável proteção divina, os quais, cercados da sua benevolência, tem motivos suficientes para todos os dias jubilarem diante da sua glória, como se alegrou Moisés ao abençoar a nação de Israel antes dela entrar na terra prometida - Bem-aventurado tu, ó Israel! Quem é como tu? Um povo salvo pelo Senhor, o escudo do teu socorro, e a espada da tua majestade; por isso os teus inimigos te serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas alturas.”(Deuteronômio 33:29).

Deus Todo-Poderoso, carecemos da sua misericórdia e proteção, por isso aumenta nossa fé em Cristo para que não venhamos a ser atingidos pelos dardos inflamados de Satanás.

*© Texto bíblico: ACF – SBTB