Batalha espiritual - Exige preparação
“Revesti-vos de toda
a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas
ciladas do diabo.” (Efésios 6:11).
A palavra armadura (greg. “panoplia”) usada no texto bíblico
refere-se a um conjunto completo de proteção que equipava um soldado em batalha,
composto de escudo, espada, peitoral (couraça), grevas (proteção das pernas),
lança e capacete (Lucas 11:22 e Efésios 6:11).
A expressão
“estai firmes”, que Paulo usou três
vezes falando da batalha espiritual neste texto (vs. 11, 13, 14), tem origem no verbo grego estar firme (greg. “steko”), que significa permanecer firme, persistir, perseverar ou
manter posição (Romanos 14:4, I Co 16:13, Gálatas 5:1, Filipenses 4:1), visando transmitir aos cristãos ânimo e
esforço nessas pelejas espirituais. É semelhante ao que Deus falou a Josué
antes dele enfrentar as nações cananeias: “Esforça-te, e tem bom ânimo”
(Josué 1:6).
Por
sua vez na língua grega a palavra cilada (greg. “epiboule”) é formada por epi
(contra) + boule (plano), ou seja,
plano contra alguém, conspiração, trama, maquinação astuciosa ou armadilha (At
9:24, 20:3,19, 23:30 e Efésios 6:11). Noutras palavras, o diabo tem um plano
preparado com truques e artifícios para ser usado como tentações visando
derrotar os filhos de Deus remidos pelo sangue de Cristo.
Pois, bem. As
batalhas da fé são espirituais. Ninguém conseguirá submeter Satanás e seus
demônios com técnicas de linguagem persuasiva, eloquência, confissão positiva,
cursos teológicos, força mental ou pensamento positivo, pois tudo isso padece
da insuperável fraqueza porque vem da carne. Sem as armas espirituais dadas
pelo revestimento da unção do Espírito de Deus é perda de tempo e insensatez
entrar em batalhas contra os principados, potestades e as hostes espirituais da
maldade.
Cristo,
o general do exército celestial, quando subiu aos céus, deixou aos soldados e
servos ao povo de Deus todos os dons necessários para se viver e lutar as
batalhas da vida cristã – “Por isso diz:
Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens.” (Efésios 4:8).
Percebemos
não ser a intenção de Deus e Ele nem quer ver homens e mulheres despreparados
entrando no campo da batalha espiritual, pois isso afrontaria diretamente os
atributos divinos do amor, da justiça e da verdade. Enfrentar Satanás e seus
demônios com homens despreparados seria o mesmo que enviar crianças
para lutar contra soldados de um exército altamente destruidor. Paulo deixa
claro não ser esta a vontade de Deus.
Quem entra em batalhas espirituais possui espírito voluntário e capacitação espiritual que lhe dá revestimento e poder para agir como instrumento da justiça nas mãos de Deus. Nem sempre devemos enfrentar os perigos satânicos e principalmente se houver risco à vida por falta de preparo e santidade, tampouco o evangelho exige nosso sacrifício como mártir, pois Cristo já derramou seu sangue pela nossa salvação. Batalha espiritual é para quem se preparou ou pessoas escolhidas por Deus. Isso restou demonstrado para a Igreja no episódio da escolha dos 300 (trezentos) homens que lutaram e venceram um exército poderoso dos midianitas sob comando de Gideão (Jz 7), evidenciando que as batalhas espirituais são vencidas por homens escolhidos e revestidos da força de Deus.
Ademais,
como alhures mencionado, todas as defesas, revestimentos e armas espirituais
necessárias estão disponíveis e somente são encontradas no evangelho de Cristo.
Mas, atenção: o apóstolo inspirado enfatiza duas vezes que o crente precisa
revestir-se de “toda a armadura de Deus”
(Efésios 6:11) ou ser equipado com as sete peças ou partes dessa proteção
espiritual – a verdade, a couraça da justiça, as sandálias do evangelho da paz,
o escudo da fé, o capacete da salvação, a e a espada do Espírito e a oração -,
pois esta proteção espiritual somente tem eficácia se estiver completa, sem
faltar qualquer parte, combinando seu uso com uma permanente oração no Espírito
(vs. 18). Entrementes, também sabemos que nem todos querem ser um soldado ou
lutar em batalhas espirituais embora pertencem à nação dos santos – escolha dos
trezentos homens de Gideão para lutarem contra os midianitas evidencia ser
grande o número dos que querem distância de enfrentamentos nas batalhas a favor
do povo de Deus (Juízes 7:1-7), daí que apenas os espíritos voluntários estarão
dispostos a pagar o preço do revestimento e do treinamento necessários para se
enfrentar os principados e as hostes espirituais dos poderes demoníacos.
O apóstolo Paulo ensinou tudo isso à Igreja porque tinha muita experiência própria dos enfrentamentos que teve contra Satanás na evangelização dos igrejas dos gentios (II Co 11:14, 12:7 e I Ts 2:18), por isso suas palavras não soam como ensino teórico, mas é um forte testemunho de alguém conhecedor profundo dos métodos e artifícios malignos do diabo, a ponto de declarar sobre o inimigo: “Porque não ignoramos os seus ardís.” (II Co 2:11). Ele tinha santidade, revestimento espiritual, comunhão com Cristo e com o Espírito Santo, mas teve que lutar arduamente contra as ciladas e os servos do diabo, porém os venceu dentro de seus próprios domínios, libertando muitas almas cativas da escuridão das trevas.
Como devemos lutar as batalhas espirituais? É por meio de orações que os crentes entram em combates espirituais, pedindo e suplicando que a graça divina interceda no mundo espiritual a seu favor para derrubar todo impedimento e tramas malignas de Satanás. Orar é sinônimo de luta. Quem ora sente cansaço inexplicável, fadiga e esgotamento físico. Não é fácil manter-se vigilante ou em espírito de oração porque a carne sofre constantes ataques do pecado e dos demônios, tentando demover homens e mulheres da fé de viverem na presença de Cristo e do propósito de vida santa. Os demônios apenas temem quem está santificado. Não há outra arma disponível para se entrar e batalhar no mundo espiritual que não seja a oração dos santos (Tiago 5:16).
Nas palavras do apóstolo, homem santo acostumado a orar porque fundava igrejas e permanecia clamando a Deus para que os novos convertidos fossem fortalecidos e mantidos pela fé em Cristo, orar é esforçar-se muito a favor das almas. Por exemplo, ele intercedeu com muitas orações pela igreja dos colossenses e dos laodicenses, o que com grandes esforços - “Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne;” (Colossenses 2:1). Alguns pensam que homens e mulheres de orações não são atacados pessoalmente por Satanás. Ledo engano. Há certas lutas espirituais que os demônios atacam homens e mulheres santos quando ainda estão de joelho, clamando a Deus, com ataques psicológicos e até físicos (dores fortes no estômago, perda momentânea da visão, fraqueza e angústia). Só quem ora sabe ou já vivenciou essas experiências de confrontos em orações.
Tendo em conta que Paulo vivia em permanentes batalhas espirituais, isso o colocava na posição de sentir-se em permanente necessidade de ser ajudado em orações, o que o levava a pedir orações intercessórias aos irmãos a fim de que fosse fortalecido e se mantivesse firme contra os ataques do diabo enfurecido por causa das conversões e das igrejas cristãs que estabeleceu em suas viagens missionárias (Efésios 1:16:18-19, Colossenses 4:3, I Ts 2:18 e I Tm 2:1). Ele foi enviado para o meio dose lobos, o mundo pagão, e sobreviveu pela força de suas orações e das orações dos irmãos.
O revestimento espiritual para a batalha é providência principal de quem vai à luta e garantia de vitória. Vejam o que disse o jovem Davi quando estava frente a frente com Golias antes de derrotar esse gigante filisteu: “Saberá toda esta multidão que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos.“ (I Sm 17:47 - ARA). A expressão “do Senhor é a guerra” significa que a vitória estará do lado que o Senhor apoiar, independentemente de quão numeroso e poderoso seja o exército do lado inimigo. O crente precisa apenas se preparar, ter ânimo e coragem, pois no mais cuidará Deus. Davi havia jogado de lado a armadura e a espada de Saul (I Sm 17:38-40), estava praticamente desarmado, só portando uma funda, porém tinha o Espírito Santo de Deus que havia recebido há pouco meses (I Sm 16:13). Assim é instruído desde a antiguidade todo aquele que luta em nome do Senhor: “Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, porém do Senhor vem a vitória.“ (Provérbios 21:31).
Clamamos a ti Deus, por sua misericórdia, força e poder, a fim de que sejamos cheios da unção do Espírito Santo e usados como vasos de honra na Igreja do Senhor, em conformidade com a vocação celestial que possui para cada um de nós.