Nunca deixe nem demore para pedir perdão a Deus
“Na verdade que não há homem justo sobre a
terra, que faça o bem, e nunca peque.” (Eclesiastes 7:20).
O texto bíblico fala sobre o pecado
involuntário, espécie de transgressão da palavra de Deus juntamente com o
pecado voluntário (Hebreus 10:26-27) e com o pecado por omissão (Tiago 4:17).
Um dia, sem que Jó soubesse,
Deus o elogiou diante de Satanás com as palavras que todos os homens desejam
ouvir, declarando que naquela época não havia na terra homem com temor e
santidade semelhante a ele – “E
disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na
terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia
do mal.” (Jó 1:8). Depois disso Satanás, autorizado por Deus, atacou
impiedosamente esse servo íntegro e fiel trazendo-lhe desgraças que ninguém
jamais pensava que pudesse sobrevir a um homem justo. Quando sua mulher o
instigou a amaldiçoar Deus e a morrer Jó negou-se a fazer o que ela pediu,
chamando-a de louca (Jó 2:9-10).
Temos a impressão que
Jó passou pelo sofrimento sem pecar contra Deus, só falando coisas corretas aos
amigos que o acusavam de pecado. Não é bem assim. No final do livro vemos Jó
humilhar-se diante de Deus e lhe pedir perdão – ”me arrependo no pó e na cinza” – por ter falado sobre coisas que
não tinha entendimento. De fato, ele não pecou por conduta, contudo ficou claro
que havia pecado por palavras, pois tudo que falamos é ouvido e registrado nos
céus conforme ensinou Jesus – “Mas
eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar
conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas
palavras serás condenado.” (Mateus 12:36-37).
Aliás, Jó acreditava
que pelo fato de se imaginar sem pecado diante dos homens também permanecia
reto diante de Deus – “Quantas culpas e
pecados tenho eu?” Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.” (Jó
13:23). Eis o motivo pelo qual a palavra instrui-nos que não sejamos juízes de
nós mesmos (II Co 10:18), mas que sempre façamos o autoexame da fé com pedido
de perdão a Deus, pelos menos no dia da ceia do Senhor (Romanos 2:19-23, I Co 11:28,
II Co 13:5).
A partir do
arrependimento e do respectivo perdão do pecado Deus mudou a vida de Jó. O
Senhor Deus ordenou que os amigos que o caluniaram fossem lhe pedir perdão
pelas ofensas e ainda que lhe pedisse para orar a Deus a favor deles, a fim de que
também fossem perdoados e “o Senhor
aceitou a oração de Jó.” (Jó 42:9). Após orar por Eliú, Bildade e Zofar a
situação de sofrimento de Jó mudou radicalmente: Deus lhe restituiu tudo em
dobro aquilo que Satanás lhe havia tirado, voltando a ser um homem honrado e
rico como era anteriormente. Somos alertados pela vida de Jó que nenhum justo
vive sem pecar, ainda que se imagina sem pecado. Contudo, mais grave do que o
pecado cometido é não se arrepender nem buscar a reconciliação com Deus como
fez esse servo do Senhor para se manter íntegro e reto na presença do Pai.
Sem perdão o homem não
se livra da ira de Deus, permanece como seu inimigo. Nossos pecados são
perdoados pela fé no sacrifício feito por Jesus Cristo e somente nele somos
reconciliados com Deus.