Feitiçaria: é aceitar ser enganado por demônios
“Porque a rebelião é como o pecado de
feitiçaria, e a obstinação é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu
rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas
rei.” (I Sm 15:23).
Ao dizer que a rebelião do homem contra Deus é como o
pecado de feitiçaria (hebr. “qecem”),
o texto ensina que todo aquele que rejeita a palavra de Deus para seguir seus
próprios pensamentos e conselhos assemelha-se com a conduta dos que adoram e
oferecem sacrifícios a falsos deuses, pois ambos se recusam a submeter-se à
vontade soberana do Senhor para suas vidas. Rejeitam a bondade e a misericórdia
divina para se unirem ao que é maligno ou pertence ao reino das trevas.
A palavra iniquidade (hebr. “aven”) no texto hebraico significa problema, sofrimento por esforços vazios e inúteis, impiedade, expressando a ideia de uma pessoa ofegante que se esforça em vão, vida de engano, pois tudo que faz dá em nada. Assim é a vida espiritual do obstinado.
A prática da feitiçaria é feita por aqueles que não querem a ajuda de Deus, preferindo buscarem conselhos e auxílio em falsos deuses, por meio dos quais os demônios manifestam o seu poder. A palavra da verdade ensina que os falsos deuses ou imagens de ídolos são manipuladas ocultamente por demônios – “Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, aos quais não temeram vossos pais.” (Deuteronômio 32:17, Salmos 97:7 – ARA).
Percebe-se
que preferem ser enganados por demônios do
que serem guiados pela luz da palavra da verdade, a qual é eficaz e salva os
que nela creem, sobretudo porque o Senhor exige dos que são seus que haja mudança
de vida com abandono do pecado, condição indispensável para que possa abençoar os
que professam fé em Cristo e andam em seus caminhos.
O engano da feitiçaria aconteceu com Saul quando ele
buscou a feiticeira de En-Dor para consultar seus oráculos antes da batalha
contra os filisteus (I Sm 28), pois nessa época ele não mais tinha comunhão com
Deus, pois havia perdido a unção do Espírito Santo, justamente por se rebelar
contra a palavra do Senhor. O demônio que falou pela boca da médium ou
feiticeira de En-Dor enganou Saul como se fosse o profeta Samuel, passagem
bíblica de difícil exegese se sua interpretação não for buscada com apoio nos
princípios que regem a comunicação entre Deus e a alma dos homens enquanto ele vive,
vez que a morte traz consigo o esquecimento e o silêncio da alma até que venha
o juízo divino (Salmos 88:4-5:7, Eclesiastes 9:10, Isaías 38:18, Hebreus 9:27).
Rebeldes e feiticeiros têm em comum o fato de que não se
rendem ao poder nem à autoridade do Senhor Deus, preferindo fazer aquilo que
lhes agrada.
A Igreja precisa se preparar mais espiritualmente buscando
revestimento do Espírito Santo, porque vão aumentar no mundo as obras de
feitiçaria, para que a mesma possa lidar com seus adoradores e com os próprios
feiticeiros, pois os homens estão se rebelando cada vez mais contra Deus. Isso
é um dos sinais sociais e exteriores do fim dos tempos. A palavra da profecia
diz que nos últimos dias aumentarão 1) os assassinatos, 2) a feitiçaria, 3) a prostituição
e 4) os furtos, como consequências da adoração de demônios por meio da
idolatria - “nem ainda se
arrependeram dos seus assassínios, nem das suas feitiçarias, nem da sua
prostituição, nem dos seus furtos.” (Apocalipse 9:21 - ARA).
As leis e os juízes
do nosso país já formaram entendimento que obras espirituais malignas feitas
por feiticeiros, bruxos e outras lideranças ditas religiosas, bem como seus
adoradores devem ser protegidos pela Constituição Federal (art. 5º, VI, VII,
VIII), tal como se protege a liberdade de crença religiosa dos cristãos e demais
religiões que praticam o bem – Vejam só: a ordem jurídica criada pelos homens
protege o bem (Deus) e o mal (Satanás) como se fossem iguais -, impondo, também
na lei, sanção aos que incorrerem em crime de intolerância religiosa (Art. 1º e
20 da Lei 7.716/89) ou de injúria religiosa (art. 140, § 3º, do Código Penal),
o que só reflete o cumprimento das profecias no sentido de que aumentarão as
aflições e as perseguições dos justos antes da chegada do juízo divino como
ocorria com o servo Ló em Sodoma diante da perversão daqueles homens – “E livrou o justo Ló, enfadado da vida
dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles,
afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras
injustas);” (II Pd 2:7-8).
Todo cristão deve se sujeitar às leis humanas porque as autoridades
constituídas existem como instrumento do próprio Senhor Deus na condução das
nações (Romanos 13:1-7, I Pd 2:13-14), pois, a bem da verdade, como sabemos, as leis
de todos os povos e nações são regidas e influenciadas por diretrizes dos
princípios e regras bíblicas herdados da fé judaica-cristã – “Atendei-me, povo meu, e escutai-me, nação
minha; porque de mim sairá a lei, e estabelecerei o meu direito como luz dos
povos.” (Isaías 51:4 - ARA). Entretanto, toda vez que a lei humana emanada pelos
governos das nações contrariar a vontade de Deus ela deverá ser desobedecida por
todos os cristãos, pois em primeiro lugar e acima de tudo temos compromisso em
cumprir as leis e a vontade de Deus, conforme ensinado pela doutrina apostólica
- “Porém, respondendo Pedro e os
apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At
5:29).
Mas que fique bem claro: como cristãos não somos impedidos de atacar os pecados que levam os homens à perdição eterna e toda forma de mal. Temos que pregar contra a feitiçaria, a prostituição sexual e outros pecados, sem, contudo, ofender ou constranger individualmente seus seguidores. Pecado continua sendo uma força maligna operada por Satanás, por isso a Igreja não deixará de pregar contra feitiçaria, perversão sexual de homem com homem ou de mulher com mulher, prostituição sexual feminina e masculina, embriaguez, roubo, furto, mentira ou cobiça - “Quem pratica o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: Para desfazer as obras do diabo.” (I João 3:8).
A palavra obstinação (hebr. “patsar”) é a qualidade de quem é insolente, dirigido pela teimosia do coração, demonstra arrogância e presunção*. Ou seja, a obstinação ou teimosia é inerente a pessoas que vivem dentro de suas próprias razões, não renunciam coisas do passado nem se dispõem à correção da palavra de Deus, imaginando que isso seria visto como fraqueza da sua vontade. Elas se agradam na teimosia que as dirige, seguindo os desejos e pensamentos próprios.
Assim, substituem a adoração a Deus para atenderem seus
próprios interesses ou na adoração de outros ídolos e falsos deuses. Portanto,
pessoas rebeldes e arrogantes preferem viver, respectivamente, no pecado da
feitiçaria e da idolatria, em vez de se sujeitarem à palavra e ao poder de
Deus. A feitiçaria agrada o rebelde exteriormente, pois o rebelde escolhe o que
e quando irá adorar os deuses falsos que lhe prometem resposta para suas
angústias, ao passo que o pecado da idolatria preenche e satisfaz interiormente
o coração do arrogante, crendo ele estar fazendo o que quer para não obedecer a
palavra da verdade nem se sujeitar à vontade de Deus.
O rebelde se torna um adorador de falsos deuses ou
demônios e o obstinado se torna egoísta e amante de si mesmo fazendo suas
próprias vontades, adorando a si mesmo. Com isso se entende porque o apóstolo
Paulo afirma que a avareza é idolatria, pois o arrogante atende
prioritariamente tudo que satisfaz seus desejos e prazeres pessoais – “Mortificai, pois, os vossos membros, que
estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, a afeição desordenada, a vil
concupiscência, e a avareza, que é idolatria;” (Colossenses 3:5). Uma conduta
comum aos ímpios que são arrogantes e avarentos é falar mal das coisas espirituais,
tentando justificar sua rejeição a Deus. São notáveis blasfemos e zombadores – “Pois o perverso se gloria da cobiça de sua
alma, o avarento maldiz o Senhor e blasfema contra ele.” (Salmos 10:3).
O Novo Testamento rechaça a idolatria pedindo aos cristãos que se
apartem do mal nela escondido, justamente porque as imagens e os ídolos são
manipulados por demônios – “Antes digo
que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a
Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.” (I Co 10:20). Quem
participa de práticas idólatras coloca sua vida sob a influência de demônios,
perdendo a pureza de coração na adoração ao Senhor, pois Cristo já fez o
sacrifício perfeito oferecendo a si mesmo pelos nossos pecados (Hebreus 10:12-14). Hoje
a nossa adoração é recebida por Deus como um sacrifício vivo e santo (Romanos 12:1),
juntamente com o sacrifício de louvor pela graça que temos em Cristo
Jesus (Hebreus 13:15).
Glória te damos Pai porque o Senhor tem nos fortalecidos contra nossos pensamentos e concupiscências, para que não caiamos nos pecados da feitiçaria e idolatria e venhamos a se afastar da sua verdade e da graça que há em Jesus Cristo.
* Dicionário
Strong