Não sejamos meros ouvintes!
“E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes,
enganando-vos a vós mesmos.” (Tiago 1:22).
A Bíblia
ensina-nos que conhecer a Deus é crescer em obediência ou quem o conhece sente
a necessidade de obedecer seus mandamentos: “E nisto sabemos que o
conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos.” (I João 2:3, Esdras 7:10). Pode-se dizer pela teologia bíblica que conhecer
a Deus é experimentar o amor dele, principalmente por meio do evangelho de
Jesus Cristo -- “Aquele
que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” (I João 4:8, Jo
14:21).
O ensino
inspirado de Tiago compara à prática dos que somente ouvem a palavra de Deus
aos que contemplam momentaneamente sua imagem no espelho – “Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e
não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto
natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como
era.” (Tiago 1:23-24). Quem vê a imagem no espelho não está vendo o interior,
desconhece a realidade essencial daquela imagem que está contemplando.
Contemplar no espelho é ter uma imagem momentânea, impressão fadada ao rápido
esquecimento, circunstância que é incompatível com a vida de um discípulo que
precisa ouvir e praticar aquilo que é ensinado pelo nosso Mestre - “porque um só é o vosso Mestre, que é o
Cristo.” (Mateus 23:10).
O
espelho pode refletir o rosto de alguém bem vestido e sorridente, contudo ser
uma imagem dissonante da miséria e do vazio espiritual que abatem e angustiam a
alma dos que não têm a paz resultante do temor da fé, encontrada na vida dos
que obedecem a palavra de Deus – nossa fé é obediente (Romanos 1:5). Os dois “porque” dos versículos vinte e três e
vinte e quatro (Tiago 1:23-24) declaram solenemente que o mero ouvinte vive o autoengano.
O conhecer bíblico não se resume ao saber teórico, vez que se consuma com a
prática do conhecimento adquirido nas pregações ou meditações na palavra, visto
que o evangelho não é uma filosofia de vida, mas a própria lei do reino de
Deus, de cumprimento obrigatório para todos os que se convertem a Cristo.
Infelizmente
quem é mero ouvinte e não praticante da palavra reconhece-se vazio da nova
criatura espiritual, aquela que tem a natureza de Cristo (II Co 5:17) e
alegra-se em fazer a vontade de Deus, vontade que é mais forte do que
satisfazer o desejo de alimentar o corpo físico (João 4:34:38). Quem não
pratica a palavra tem essa percepção irreal de si próprio, tal como quem vê só
a aparência ou a imagem no espelho. É uma vida de engano, vazia, sem a presença
do Espírito Santo e com perigosa distorção da sua realidade espiritual, que
necessita urgentemente nascer de novo ou se deixar ser moldada pelo poder
transformador da palavra do evangelho.