A apostasia é atual e prenuncia o fim dos tempos
“Mas o Espírito expressamente diz que nos
últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores,
e a doutrinas de demônios;” Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo
cauterizada a sua própria consciência;” (I Tm 4:1-2).
Indaga-se:
Os apóstatas fizeram falsa profissão de fé em Cristo ao entrarem na igreja ou
eram cristãos que renunciaram a fé? A apostasia religiosa consiste em abandonar
ou rejeitar deliberadamente a fé professada e defendida anteriormente. O
cristão que abandona a fé e a verdade do evangelho de Cristo, seja para viver
na incredulidade ou professar outra religião, apostatou-se da fé cristã. A
palavra apostasia tem origem no verbo ir embora (greg. “aphistemi”), que é o ato de deixar alguém, afastar-se, abandonar,
tornar-se infiel (Atos 21:21, II Ts 2:3). Precisamos ter bem claro no
entendimento que Satanás é quem incita a rebelião ou a apostasia da fé em Deus.
Alguns
defendem que a apostasia ocorreria profeticamente quando o número de pessoas
que se convertessem e entrassem nas igrejas fosse menor do que o número dos que
saíssem das igrejas cristãs. Todavia, não é isso que a palavra diz, posto
inexistir parâmetro numérico para comprovação de tal condicionante, mas sim a
ocorrência de fatos interligados entre si como o aumento da violência por
assassinato, idolatria, prostituição, perversão sexual e guerras, conforme
revelado por Jesus (Mt 24) e no livro de Apocalipse.
Pois
bem. Atualmente a igreja cristã vive a apostasia dos últimos tempos, pois,
vivenciamos o abandono generalizado em todo mundo da palavra de Deus. É dessa
apostasia que Paulo trata com os tessalonicenses, não da apostasia individual.
O mundo assiste a desconstrução dos valores cristãos em vários lugares, a começar
pelas nações ateias, como China, Coreia do Norte e Cuba, locais onde há
proibição de culto público ao nome de Jesus Cristo. O continente europeu já foi
um celeiro de grandes avivamentos, o maior deles a Reforma Protestante, mas o
que se vê na atual conjuntura é o esfriamento da fé e o fechamento de igrejas.
Os
países latinos americanos estão sendo maciçamente bombardeados pelos
pensamentos filosóficos do marxismo cultural, onde governantes socialistas
fomentam ataques contra a ordem de valores que regem a sociedade capitalista,
mediante apoio estatal a grupos minoritários revoltados contra os valores da
moral, família, religião, cultura, poder legal e ciência, criando um “falso espaço de discussão das liberdades
individuais” com temas conservadores como a legalização das drogas, aborto,
ideologia de gêneros e casamentos entre pessoas de mesmo sexo.
No
fundo o que se busca é afastar a moral cristã dos relacionamentos sociais, para
livremente viverem a perversão carnal pecaminosa. No entanto, a igreja permanece
vigilante a tais sinais de apostasia pelo seu caráter profético. Quanto ao
surgimento dos sinais da apostasia em todo o mundo Jesus ensinou “Olhai para a figueira, e para todas as
árvores;” (Lucas 21:29), aconselhando que a igreja prestasse atenção na figueira
(povo de Israel) e também no que estaria acontecendo com todas as árvores (as
demais nações).
Em
resposta à indagação inicial vemos que a Bíblia permite entender que têm dois
grupos de apóstatas. Parece que o grupo dos que fizeram falsa profissão de fé é
o maior deles (I João 2:18-19), os quais permanecem na igreja até não mais
suportarem as correções da palavra de Deus ou serem desmascarados da condição
de crentes mundanos. São aquelas pessoas que Jesus chamou de joio no meio do
trigo (Mateus 13:24-30). Os que fizeram falsa profissão de fé nunca foram
libertados de seus pecados, tendo frequentado igrejas como meros ouvintes dos
ensinos e pregações bíblicas, vez que não creram nas mensagens espirituais, não
tendo rompido com as práticas mundanas do passado nem suas vidas foram
transformadas pelo poder da palavra de Deus.
Por
causa dessa incredulidade serão destruídos – “Mas quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo
o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não
creram;” (Judas 1:5). Essas pessoas são os meros ouvintes e enganam a si
mesmos, pois assim Tiago refere-se a eles (Tiago 1:22), os quais ouvem, contudo
não creem por influência maligna sobre o coração delas. O Senhor Jesus falou a
respeito do coração dessas pessoas aos discípulos na parábola do semeador – “E os que estão junto do caminho, estes são
os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que
não se salvem, crendo;” (Lucas 8:12). Infelizmente elas estão à beira do
caminho porque o que ouvem é arrebatado por Satanás de seus corações, e por
isso não andam no mesmo temor dos crentes que caminham obedecendo a palavra de
Cristo, caminho único e verdadeiro que leva a alma à vida eterna (João 14:6).
O
segundo grupo, minoritário, é formado pelos que simplesmente renunciaram a fé
para fazer sua própria vontade depois de terem provado os manjares celestiais
como participantes do povo de Deus - “porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o
dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa
palavra de Deus, e os poderes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez
renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o
Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.” (Hebreus 6:4-6).
Isso
ocorre pelo fato que a fé é um dom divino dado e mantido no coração daqueles
que se edificam na palavra de Deus (Romanos 10:17) e nem todos a tem “porque a fé não é de todos” (II Ts 3:2),
tampouco querem se libertar dos prazeres da carne e do mundo, bem como não se
dispõem a pagar o preço exigido para se viver a conforme a fé cristã. A salvação
é pela graça, porém não é de graça. Ainda há outros que deliberadamente decidem
seguir seus pensamentos lógicos e se rebelam contra a palavra porque avaliaram
mal o propósito da sua existência neste mundo e cometem o erro fatal de
desprezar a eternidade da alma para viver as coisas temporárias deste mundo.
O
apóstolo João fala desse tipo de apóstatas chamando-os de anticristos, porque
se rebelavam contra o evangelho de Cristo para seguirem falsos profetas,
feitiçaria, falsas religiões e tudo o mais que nega a verdade de Deus – “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque,
se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não
são todos de nós.” (I João 2:19).
Pedro
também diz que homens há que parecem “animais
irracionais”, pois agem como se não tivessem o atributo da razão nem da
inteligência, desconsiderando que foram criados à semelhança do Deus
Todo-Poderoso - “Mas
estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem
presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção”
(II Pd 2:12). Viver com Deus é uma escolha, da mesma maneira que o contrário
também é verdadeiro, o que só confirma que no dia do juízo final muitos serão
destinados ao sofrimento eterno do lago de fogo e enxofre como consequência de
sua própria escolha – “O Senhor fez todas
as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do
mal.” (Provérbios 16:4).
Somos
gratos a ti Senhor porque a tua benignidade nos alcançou e fomos retirados da
incredulidade e dos enganos da natureza carnal pecaminosa. Cristo, ajuda-nos a
alcançarmos as almas que também precisam de libertação como outrora fomos
libertados do engano do pecado e de Satanás.
* Dicionário
Strong