Paulo foi chamado de “Pregador idiota” em Corinto
“Naquele tempo, respondendo Jesus,
disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas
coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.” (Mateus 11:25).
Embora o apóstolo Paulo
fosse um rabino formado sob o rabinato de Gamaliel (Atos 22:3), alguns crentes
coríntios viram nele certas limitações como pregador, que os levaram a
criticá-lo como uma pessoa simplória e de falar rude (greg. “idiotes”), sinônimo de alguém
despreparado na arte de falar, grosseiro, inculto, não letrado, sem habilidade
em qualquer arte, pessoa idiota* - “E,
se sou rude na palavra, não o sou contudo no conhecimento; mas já em todas as
coisas nos temos feito conhecer totalmente entre vós.” (II Co 11:6). Essa
afronta veio sobre o apóstolo da igreja de Corinto, na Grécia, berço da
filosofia e fonte da cultura mundial, podendo se entender que não obstante
esses gregos fossem letrados eles não tinham conhecimento espiritual (At
17:32-34), nem humildade para reconhecerem sua própria ignorância e pequenez
diante das coisas de Deus.
É isso: daquele tempo
para hoje muitas coisas mudaram, menos a ignorância do mundo nas coisas
espirituais, pois essas afrontas persistem sobre muitos outros mensageiros
cristãos de vida humilde que foram chamados para servir a Cristo. Homens santos
e humildes muitas vezes são alvos de chacotas, zombarias e confundidos com
pessoas fracas e idiotas, o que ocorre geralmente nas igrejas onde há bodes no
meio dos santos ou entre almas ignorantes espiritualmente.
O homem santo deve ser
perito e conhecedor das Escrituras, vez que será com base nela que orará a Deus
clamando por intervenção divina sobre alguém ou sobre o rebanho. Homens santos
e consagrados alimentam-se continuamente da palavra de Deus porque ao seu
coração agrada muito conhecer cada vez mais o Senhor Deus, pois isso lhe dá
força e revigora a fé – “Então
conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é
certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”
(Oséias 6:3).
Não devemos esquecer que Deus
capacita quem é chamado, “porque bem vedes, irmãos, a vossa vocação,
que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem
muitos os nobres que são chamados.” (I Co 1:26). A
principal preocupação que os santos devem ter com a formação de seus pastores e
líderes religiosos não é a capacitação intelectual, acadêmica, mas sua formação
espiritual de base bíblica, conhecimento da palavra de Deus, comunhão e
intimidade com o Senhor. Há muitos intelectuais e doutores em questões
teológicas que não conhecem a perfeita vontade de Deus, não têm vida consagrada
nem coração puro e fiel - “O qual nos fez
também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do
espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (II Co 3:6) -, pois
confiam mais naquilo que aprenderam em livros, cursos e graduações do que nas
experiências vivenciadas na presença de Deus. Não é difícil encontrar eles quem
nunca fez um jejum de Ester ou sequer foi orar no monte.
É fato que alguns
homens santos não têm boa instrução educacional, são homens simples, porém,
mesmo falando errado algumas palavras do vernáculo neles se manifesta o poder
de Deus. É isso que interessa no meio do povo de Deus, não a formação
eclesiástica nem o intelectualismo religioso, os quais temos vistos são frequentemente
usados para acobertarem muitos enganadores, lobos e empresários religiosos que
negociam com a palavra de Deus – “Porque
nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em
Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio
Deus.” (II Co 2:17 - ARA).
Os fariseus eram um
grupo de judeus que se vestiam com roupas talares ou religiosas, aparentavam
conhecer a lei mosaica, contudo não a cumpriam em suas vidas nem viviam o que
pregavam como observou Jesus – “Dizendo:
Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas,
pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais
em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;” (Mateus 23:2-3).
O profeta Amós era
agricultor quando foi chamado para ministrar a palavra de Deus no reino de
Israel (Samaria), contudo por meio dele o poder divino se manifestou
grandemente diante de um povo rebelde e idólatra. Ele mesmo dizia que não tinha
formação religiosa, pois foi um servo chamado fora dos círculos religiosos de
Jerusalém, tampouco era da linhagem sacerdotal, pelo contrário era um homem de
campo, pastor de ovelhas na cidade de Tecoa, território de Judá – “E respondeu Amós, dizendo a Amazias: Eu não
sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros.
Mas o Senhor me tirou de seguir o rebanho, e o Senhor me disse: Vai, e
profetiza ao meu povo Israel.” (Amós 7:14-15).
Sabemos que para alguém
ser cheio da unção do Espírito Santo no ofício ministerial é necessário
esvaziar-se de coisas más e inúteis que a velha natureza acumulou por longos
anos, mas principalmente que seja alguém que “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que
se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (II Tm 2:15).
É certo que Deus
capacita os fracos e dá sabedoria aos indoutos. O Senhor quer vaso sem trincas
e sem sujeira para encher de azeite, razão pela qual o preparo e a capacitação
espiritual podem durar anos na vida de quem será usado numa obra espiritual – a
preparação do apóstolo Paulo, desde sua conversão, durou cerca de treze anos.
Todo vaso bom passa um tempo nas mãos do oleiro (Jr 18), assim como o odre bom
também tem que ficar um certo tempo na fumaça (Salmos 119:83).
Um pastor que aconselha
pessoas sem conhecer toda a palavra de Deus é como um médico que não sabe
prescrever remédios eficazes para seus pacientes, o que pode levar à morte
aqueles que estão sob seus cuidados. Infelizmente temos visto aumentar o número
de homens e mulheres que desejam o poder religioso do episcopado (I Tm 3:1),
sem a contrapartida do indispensável conhecimento da plena vontade de Deus pelo
conhecimento de toda sua palavra. Poucos podem dizer o que o apóstolo Paulo disse
ao se despedir da igreja de Éfeso que ele pastoreou por vários anos – “Porque nunca deixei de vos anunciar todo o
conselho de Deus.” (Atos 20:27).
Saber fazer um sermão,
ter boa oratória ou formação intelectual não substitui a superior formação
espiritual exigida por Deus – “Porventura
não te escrevi excelentes coisas, acerca de todo conselho e conhecimento, Para
fazer-te saber a certeza das palavras da verdade, e assim possas responder
palavras de verdade aos que te consultarem?” (Provérbios 22:20-21). Todo pastor ou
liderança cristã deveria resistir em ajudar ou aconselhar irmãos fora dos
conselhos bíblicos, com pareceres e indicações próprios de um profissional secular
– embora os aconselhados fiquem livres para continuar o tratamento ou
procurá-los -, pois, têm situações que o remédio correto vai exigir mudança de
rota, desconstrução de perspectivas humanas e total confiança e esperança no agir
poderoso e milagroso da palavra de Deus. Ademais, igreja não é consultório de
psicólogos ou de médicos nem escritório de advogado, mas é, em essência, um
pronto-socorro espiritual da alma aflita, angustiada e desconsolada.
Assuntos como direito à
vida, casamento, divórcio, criação de filhos, perversão sexual, aborto, relação
empregador x trabalhador, respeito aos pais, assistência social e tantos outros
que envolvem cristãos devem ser aconselhados e instruídos nas igrejas com base
nas Escrituras Sagradas, embora muitos deles estejam regulados por leis humanas
e até em confronto com a palavra de Deus, pois sabemos que a visão do mundo nem
sempre coincide nem protege os bens e valores fundamentais do ser humano no
mesmo patamar que os protegem os textos bíblicos.
Para defender a
dignidade da pessoa humana os pastores e líderes religiosos não precisam sequer
conhecer o que prescrevem as leis seculares, por não haver maior proteção do
que aquilo que está prescrito na Lei do Espírito e da vida, a qual deve ser
ensinada e conhecida de todos os irmãos de fé.
A ênfase da mensagem
impõe relembrar que verdades espirituais não são compreendidas nem discernidas
por homens naturais, aqueles sem inspiração divina vinda do Espírito Santo, aos
quais as mesmas são inúteis ou incompreensíveis, assim como a sabedoria de um “provérbio na boca dos tolos” (Provérbios 26:7),
pois se sabe, verdade e preciosidades espirituais somente podem ser extraídas
corretamente de textos bíblicos por homens sábios com espíritos vivificados
pelo poder de Deus – “Quem é como o
sábio? E quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz brilhar
o seu rosto, e a dureza do seu rosto se muda.” (Eclesiastes 8:1). O homem espiritual
ou sábio, ainda que revestido de aparência simples e humilde, não só discerne
com clareza todas as coisas como igualmente sabe o tempo e o modo certo de
fazer e ordenar que se faça algo com base somente nos conselhos divinos da
palavra de Deus.
Pai, precisamos de ti,
precisamos conhecer mais sua vontade, pois só a tua palavra tem poder para
libertar, curar, restaurar e salvar nossa alma e as famílias de toda
enfermidade, aflição ou angústia, porquanto a paz e a saúde perfeita que
almejamos está em o nome de Jesus Cristo.
*Dicionário Strong