Mensagem Bíblica

Salvação eterna: independe de obra humana ou religiosa

Salvação eterna: independe de obra humana ou religiosa

  • Éder de Souza
  • Tempo de Leitura 5 Minutos

O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.” (Lc 18:11-12)

A salvação vem pela graça divina por meio da fé - Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;” (Efésios 2:8-9). Na parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18:9-14), apesar desse religioso haver mencionado várias obras que realizava no cumprimento das leis divinas, vangloriando-se soberbamente de ser uma pessoa melhor do que o publicano que também orava no templo pedindo a misericórdia de Deus por se considerar pecador, Jesus declarou que o homem publicano voltou para sua casa justificado ou perdoado de seus pecados, porém, o fariseu, apesar da boa moral e das obras religiosas que realizava, não foi perdoado por Deus, justamente por causa das obras que realizou, pois essas o fizeram soberbo e orgulhoso – Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” (Lucas 18:14).

O fariseu permaneceu condenado pelo pecado da soberba religiosa, mas, o publicano, mesmo sem apresentar nenhuma obra, foi perdoado e salvo, deixando evidente que a vida eterna não vem de obras, e sim da graça de Deus. Outra coisa que a graça salvadora anula é o fator tempo de convertido ou de conversão. Têm pessoas que se vangloriam pelo muito tempo de igreja que possuem desde sua conversão. No entanto, para a graça salvadora isso não tem valor.

O Senhor Jesus fez tal distinção na parábola dos trabalhadores na vinha. Lá está dito que os primeiros trabalhadores, contratados ainda de madrugada para trabalharem na vinha, imaginavam que receberiam mais do que aqueles chamados na undécima hora (17:00hs), no cair da tarde do mesmo dia, os quais trabalharam apenas uma hora do dia e também receberam uma diária inteira ou um denário, porém idêntico valor foi pago aos primeiros e eles murmuraram ao serem igualados com os últimos trabalhadores, alegando que suportaram maior desgaste por haverem chegado mais cedo. Para esses “antigões”, o ensino de Jesus foi contundente: “Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti.” (Mateus 20:13-14).

Jesus ensinou que Deus faz assim para aplicar sua justiça igualmente a todos, pois com todos usa da mesma graça e bondade, pois a salvação é um dom gratuito dado pela graça (Ef 2:8-9), independente do tempo de conversão, de qualquer trabalho ou obra humana. Noutras palavras, o tempo de conversão ou o trabalho na obra de Deus não segue a mesma lógica do mundo, porquanto a salvação eterna é graça imerecida, ninguém por mérito próprio faz jus a ela, todavia o Senhor a concede por sua bondade com base na justiça da fé, de modo que, para ser salvo a fé de um recém-convertido tem o mesmo valor da fé e tempo de conversão que tem um crente antigo na igreja. Entendamos isso: Se a vida eterna dependesse do próprio homem NINGUÉM seria salvo. Salvação é graça pura, não tem nada do homem.

Se nesta terra o trabalho ou a obra humana é fundamento para acumular dinheiro, bens ou riquezas, para nada presta nem interfere nas coisas espirituais, principalmente na salvação eterna da alma. Entrementes, as boas obras ou as obras da fé de cada santo serão válidas no julgamento de galardão, donde cada um receberá conforme aquilo que fez ou deixou de fazer - “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.” (Apocalipse 22:12, Apocalipse 2:23, Salmos 62:12, Eclesiastes 12:14, Romanos 2:6-7).

Não fosse a fé em Cristo e na sua justiça redentora da cruz do calvário, ninguém poderia ser salvo se a salvação dependesse da obra ou da justiça humana porque somos incapazes de se justificar a si mesmos ou se limpar de pecados na presença de Deus – “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.” (Isaías 64:6).

Portanto, a salvação pela graça não se sujeita a qualquer obra ou tempo de igreja, mas somente a que estejamos na vinha do Senhor, pois essa graça não é dada aos que não aceitam o chamado do evangelho, no qual está manifesto o amor, a justiça e a bondade das leis e mandamentos do Reino de Deus, regras que muitas vezes são incompreendidas por corações endurecidos pelas razões humanas ou terrenas como as dos primeiros trabalhadores chamados para o trabalho na vinha.

Pai, não temos nada a oferecer a ti, é pela tua graça e pela obra redentora de Cristo na cruz que mantemos no coração a viva esperança da vida eterna.

* Dicionário Strong

**© Texto bíblico: ACF – SBTB