Salvação eterna: independe de obra humana ou religiosa
“O fariseu, estando em pé, orava consigo
desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens,
roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas
vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.” (Lc
18:11-12)
A salvação vem pela graça divina por
meio da fé - “Porque pela graça
sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das
obras, para que ninguém se glorie;” (Efésios 2:8-9). Na parábola do
fariseu e do publicano (Lucas 18:9-14), apesar desse religioso haver mencionado
várias obras que realizava no cumprimento das leis divinas, vangloriando-se
soberbamente de ser uma pessoa melhor do que o publicano que também orava no
templo pedindo a misericórdia de Deus por se considerar pecador, Jesus declarou
que o homem publicano voltou para sua casa justificado ou perdoado de seus
pecados, porém, o fariseu, apesar da boa moral e das obras religiosas que
realizava, não foi perdoado por Deus, justamente por causa das obras que
realizou, pois essas o fizeram soberbo e orgulhoso – “Digo-vos que este desceu justificado para
sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será
humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” (Lucas 18:14).
O fariseu permaneceu
condenado pelo pecado da soberba religiosa, mas, o publicano, mesmo sem
apresentar nenhuma obra, foi perdoado e salvo, deixando evidente que a vida
eterna não vem de obras, e sim da graça de Deus. Outra coisa que a graça
salvadora anula é o fator tempo de convertido ou de conversão. Têm pessoas que
se vangloriam pelo muito tempo de igreja que possuem desde sua conversão. No
entanto, para a graça salvadora isso não tem valor.
O Senhor Jesus fez tal
distinção na parábola dos trabalhadores na vinha. Lá está dito que os primeiros
trabalhadores, contratados ainda de madrugada para trabalharem na vinha,
imaginavam que receberiam mais do que aqueles chamados na undécima hora
(17:00hs), no cair da tarde do mesmo dia, os quais trabalharam apenas uma hora
do dia e também receberam uma diária inteira ou um denário, porém idêntico
valor foi pago aos primeiros e eles murmuraram ao serem igualados com os
últimos trabalhadores, alegando que suportaram maior desgaste por haverem chegado
mais cedo. Para esses “antigões”, o
ensino de Jesus foi contundente: “Mas o
proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não
combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este
último tanto quanto a ti.” (Mateus 20:13-14).
Jesus ensinou que Deus
faz assim para aplicar sua justiça igualmente a todos, pois com todos usa da
mesma graça e bondade, pois a salvação é um dom gratuito dado pela graça (Ef
2:8-9), independente do tempo de conversão, de qualquer trabalho ou obra
humana. Noutras palavras, o tempo de conversão ou o trabalho na obra de Deus
não segue a mesma lógica do mundo, porquanto a salvação eterna é graça
imerecida, ninguém por mérito próprio faz jus a ela, todavia o Senhor a concede
por sua bondade com base na justiça da fé, de modo que, para ser salvo a fé de
um recém-convertido tem o mesmo valor da fé e tempo de conversão que tem um
crente antigo na igreja. Entendamos isso: Se a vida eterna dependesse do
próprio homem NINGUÉM seria salvo. Salvação é graça pura, não tem nada do homem.
Deus nunca salvou ninguém por obra, somente pela fé – “Porque, se Abraão foi justificado pelas
obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a
Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” (Rm
4:2-3).
Se nesta terra o trabalho ou a obra humana é fundamento para acumular dinheiro, bens ou riquezas, para nada presta nem interfere na salvação eterna da alma. Entrementes, as boas obras ou as obras da fé de cada santo serão válidas no julgamento de galardão, donde cada um receberá conforme aquilo que fez ou deixou de fazer - “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.” (Apocalipse 22:12, Apocalipse 2:23, Salmos 62:12, Eclesiastes 12:14, Romanos 2:6-7).
Na questão da salvação o que vale é a doutrina da justificação de pecado pela fé - “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;” (Romanos 5:1). A justificação apaga todos os pecados, como consequência da fé em Cristo, resultando no perdão e na salvação divina.
Então, para que servem as obras? Como dito acima, as boas obras serão recompensadas com galardão, prêmio que ninguém sabe o que é, mas, com certeza, será grandioso e maravilhoso porque virá das mãos de Cristo. Doutro vértice, em sentido diametralmente oposto, as más obras, devido seu caráter pecaminoso levarão ao juízo da condenação e da perdição eterna (João 5:29, Romanos 2:6-8). É bom que se diga, perdição eterna não é suprimir a existência da alma, mas fazê-la perecer eternamente com sofrimento ininterrupto.
Não fosse a fé em
Cristo e na sua justiça redentora da cruz do calvário, ninguém poderia ser
salvo se a salvação dependesse da obra ou da justiça humana porque somos
incapazes de se justificar a si mesmos ou se limpar de pecados na presença de
Deus – “Mas todos nós somos como o
imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós
murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.”
(Isaías 64:6).
Outro detalhe
importantíssimo, máxime no que concerne ao trabalho religioso, é que muitas
obras que se realizam serão queimadas ou consideradas inúteis no dia do
julgamento, reprovadas serão pelo fogo porque foram erguidas sobre outro
fundamento e não em Cristo, contudo o obreiro será salvo por causa da fé - “Se a obra que alguém edificou nessa parte
permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá
detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo.” (I Co 3:14-15). Nesta passagem fica bem clara a distinção entre fé e obra, pois, mesmo
tendo suas reprovadas o obreiro será salvo, justamente porque salvação não vem
de obras, mas da fé em Cristo.
Portanto, a salvação pela graça não se sujeita a qualquer obra ou tempo de igreja, mas somente a que estejamos na vinha do Senhor, pois essa graça não é dada aos que não aceitam o chamado do evangelho, no qual está manifesto o amor, a justiça e a bondade das leis e mandamentos do Reino de Deus, regras que muitas vezes são incompreendidas por corações endurecidos pelas razões humanas ou terrenas como as dos primeiros trabalhadores chamados para o trabalho na vinha.
Pai, não temos nada a
oferecer a ti, é pela tua graça e pela obra redentora de Cristo na cruz que mantemos
no coração a viva esperança da vida eterna.
* Dicionário
Strong